Essa seleção reúne trabalhos de uma pesquisa iniciada em janeiro de 2024. De longe, a natureza se confunde com um manto uniforme, um campo indiferenciado de verde. É o olhar apressado, distraído, que a reduz a cenário. A obra nos lembra que a natureza é uma tessitura delicada, feita de detalhes e contrastes. Perder-se nesse labirinto de cores e formas é reencontrar a riqueza que o olhar distraído não vê e descobrir que nem tudo é verde no Verde.
Desta vez, o verde não parece querer representar a natureza, mas o que há dentro dela, e dentro da gente. Há um certo desassossego nas composições, uma tentativa de capturar o instante em que o tempo se mistura à memória. Saí da exposição com a sensação de que “Nem tudo é verde no verde” fala também sobre a gente, sobre o que é vivo, mas muda; sobre as camadas que o tempo pinta sobre o que nós éramos. E talvez seja por isso que essas obras sempre me tocam tanto: porque nelas, o que vejo é uma forma de permanência.